Produzindo quadrinhos — Por onde começar ?

July 3, 2017

Desde que eu comecei a estudar sobre a produção de narrativas, sejam romances, roteiros pra quadrinhos ou ilustrações que contam uma história, acabei percebendo uma dúvida bem recorrente:

 

"Qual é a melhor dica para aspirantes a escritores ou artistas que tem vontade de produzir, mas não sabem por onde começar ?"

 

Eu já me perguntei isso inúmeras vezes no passado. Embora eu me depare com novas dúvidas todos os dias, minha procura pela solução definitiva do maior enigma do artista

— Como começar? — sempre vai em direção à mesma resposta:

 

Se você quiser ser um escritor, comece a escrever.

Se você quiser ser um ilustrador, comece a ilustrar.

 

Essa resposta é ao mesmo tempo perfeita e incrivelmente desapontadora. 

É bastante frustrante ouvir isso quando se espera uma solução meio que mágica para a sua falta de experiência. Apesar de funcionar como estímulo , eu sempre senti que faltava algo nessa resposta tão simples e tão certeira.

 

Quantas vezes eu assisti um vídeo do Neil Gaiman, Alan Moore , Garth Ennis, Warren Ellis ou Stephen King respondendo à essa pergunta com: "Leia bastante e comece a escrever". A vontade que eu tenho é de interferir no vídeo e gritar:

Mas É CLARO que pra começar a produzir arte eu preciso começar! Mas... como? Me diga como DE VERDADE! Começo pelo argumento? Escrevendo o mundo? Faço no papel ou no computador? Give me SOMETHING!

 

A verdade, como devem suspeitar, é que não há mais nada. Não tem segredo. É só começar mesmo. Mas se eu puder, na minha infinita inexperiência, ingenuidade e ignorância, acrescentar uma frase à essa dica infalível, seria a seguinte:

 

Se você quiser ser um escritor, comece a escrever do jeito que você acha que as coisas são escritas.

Se você quiser ser um ilustrador, comece a ilustrar do jeito que você acha que as ilustrações são feitas.

 

Isso fez muita diferença pra mim. Tenho percebido que meu maior medo antes de começar a produzir de verdade, não era de não saber fazer ou de errar. Era um medo de fazer algo que eu nunca tinha feito antes. E quando eu só "fazia do jeito que eu achava que a coisa era feita", como um passe de mágica, eu estava lá, fazendo a coisa que eu sempre quis fazer.

 

Estudar é muito importante. Assistir tutoriais, ler de tudo e perguntar aos mais experientes pode te garantir uns bons atalhos na hora de produzir, mas quando você se propõe a "só fazer, do jeito que der na telha", é aí que o aprendizado começa a fazer sentido. Você vai apanhar (bastante) sozinho e essas pequenas lições vão te acompanhar pra sempre. Aos poucos, pelo simples fato de tentar por conta própria, você aprende porque tal material é melhor ou pior, porque tal técnica é interessante ou, com alguma sorte, pode até desbravar algum caminho que ninguém nunca explorou naquele ramo da arte.

 

Fazer um trabalho de qualidade, para você e para o público, já é outra história. Como o autor Jim Butcher lembra os velhos ensinamentos: "as primeiras um milhão de palavras que você escrever vão ser muito ruins, então é melhor começar a produzir e tirá-las logo do caminho". Dez livros depois, Jim Butcher é um monstrinho na produção de romances.

 

Mas o primeiro passo está aí, comece a fazer do jeito que você acha que é feito. Comece e recomece, todo dia. Se aparecer um novo desafio, estude e recomece, cada nova tentativa vai te deixar mais experiente, seguro e, eventualmente, você encontrará sua própria voz.

 

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